
PROFISSIONALISMO
Não dá para não ter

Cap. 3
Ajustando o seu foco
"Para a pessoa que encontrou clareza interna, novas
perspectivas se apresentam e as portas se abrem sem a necessidade
de nelas bater.”
SILOÉ P. NEVES
Ser um grande profissional. Com certeza, para que isso
se tome realidade, é necessária a concentração
de energia e esforços. E tenho convicção
de que todo o seu investimento pessoal e profissional direciona
seu foco de atenção para esse objetivo.
Você estudou, se formou, nunca deixou de se aprimorar
fazendo cursos de especialização e atualização.
Procura sempre ler e estar informado das últimas
tendências do mercado. Você tem orgulho de seu
currículo acadêmico e sabe quanto ele tem sido
importante em sua trajetória até aqui.
De repente, começa a perceber algumas lacunas e certa
defasagem entre tudo o que aprendeu e algumas situações
do dia-a-dia no trabalho. Muitas ações que
você executava facilmente já não se
adequam. Falta algo, e os recursos de sua bagagem, que é
considerada privilegiada por todos, não são
mais suficientes para atingir o grau de profissionalismo
que tanto deseja e está sendo exigido para o cargo
que ocupa na empresa.
É nesse momento que você consulta aquele famoso
manual que parece conter soluções mágicas
para todos os problemas. E aí percebe que não
é bem assim, ele apresenta talvez algumas dicas,
mas não traz a resposta total. Sabe por quê?
Porque é um manual de regras, ou seja, tem caráter
rígido e geral. A grande descoberta é saber
que cada situação exige flexibilidade para
encontrar o melhor caminho. E isso requer, por sua vez,
o constante repensar e reavaliar de suas ações
e de seu comportamento. O traço diferenciador do
novo profissional não é só o que ele
faz, mas como faz.
Existe todo um percurso, um processo gradativo, que cada
um deve seguir segundo suas próprias características.
É como quando um trapezista dá um salto sem
medo algum, pois sabe que lá embaixo sua rede de
sustentação é firme e irá ampará-Io
porque foi feita a partir de sua própria essência.
Nós somos nosso próprio projeto, do qual brotam
todas as soluções para a transformação
do mundo.
É com essa nova perspectiva que você vai rever
aquele fato no qual, além de sua análise racional,
foi necessário usar a intuição e houve
insegurança de sua parte. Afinal, raramente ela foi
utilizada no mundo dos negócios. E com certeza a
falta de treino fez com que, no momento em que você
precisou usá-Ia, ela parecesse inadequada.
A intuição é apenas um dos inúmeros
exemplos de como você necessita hoje, para ter o merecido
sucesso profissional, de muito mais que seu lado racional,
objetivo e intelectual.
É aí que você nota que já não
dá mais para chegar ao trabalho e dizer "bom-dia"
com voz triste e ficar cabisbaixo sem que isso influencie
o ambiente. Esses sinais, que antes passavam despercebidos,
hoje fazem parte da percepção da grande maioria.
Quando não há sintonia entre o que dizemos
e o que demonstramos, não há credibilidade,
e acabamos comprometendo nosso profissionalismo.
Claro, sei que tudo isso é novo e que você
pode interpretar como certa invasão de privacidade.
Antes você podia se dar ao luxo de separar o pessoal
do profissional, pelo menos na aparência. Deixava
o "pessoal" na portaria e entrava na empresa apenas
com o "profissional". Isso significava trabalhar
com eficiência, sem se preocupar se o ambiente estava
tenso, se você estava se relacionando de forma saudável
com seus colegas e clientes, se seu semblante condizia com
suas palavras e ações.
Só que o jogo evoluiu, as regras mudaram e nosso
discurso e nossa ação precisam fazer parte
de um quebra-cabeça em que todas as peças
se encaixem perfeitamente. É essa harmonia que confere
novo sentido ao profissionalismo. Nesse quadro, o papel
de uma mudança comportamental é muito importante.
Estar com seu foco interno ajustado, de acordo com as tendências
atuais, é agir em congruência com suas características
mais profundas, e não querer o profissionalismo apenas
de modo exterior, sem convicção do caminho
que deseja seguir. O meu objetivo é acrescentar algo
além do conhecimento intelectual a sua reflexão.
O que o profissionalismo exige hoje é consciência.
A consciência é um processo interno que envolve
ação, atitude e responsabilidade na obtenção
de bons resultados. Para ser esse novo profissional não
basta entusiasmar-se por novas idéias e projetos.
É necessário mobilizar-se, e essa mobilização
vem do agir. Como nos diz Roberto Shinyashiki6, a frase
"querer é poder" precisa ser substituída
por "fazer é poder".
Assim, vamos aprender a atuar com congruência e assumir,
dentro da medida do possível, quatro papéis
importantes desse novo profissional, segundo nos diz Karl
Albreche. Primeiro o de ser uma espécie de visionário,
ou seja, criar sentido ao tecer a visão, a missão
e a direção da empresa. Depois, ser um formador
de equipe, indicando as pessoas certas para os lugares certos
e unindo-as numa causa comum.
Então coloque-se como uma espécie de símbolo
vivo, isto é, seja exemplo do que diz. O grande desafio
hoje é realizar o que se diz tanto nas situações
simples quanto nas complexas. Isso é liderança.
O líder não precisa, necessariamente, ser
carismático nem mobilizar multidões. O mais
importante é demonstrar congruência ligando
o discurso à ação.
Essas modificações, principalmente as tecnológicas,
se impõem cada vez com maior intensidade, já
que no mundo contemporâneo tudo acontece em ritmo
muito rápido. Estávamos acostumados a mudanças
no período de gerações, mas agora elas
ocorrem em menos de uma década, em poucos anos ou
até meses.
Nesse sentido, a evolução humana precisa acompanhar
o ritmo da evolução tecnológica. Normalmente,
devido a uma cultura "imediatista", priorizamos
o investimento na parte tecnológica, pois os resultados
são mais visíveis e aparecem a curto prazo.
O novo profissional precisa ser um todo, ter o foco ajustado
em seu lado humano e saber que, nesse aspecto, os resultados
são gradativos. Imagine que muitas vezes você
deve mudar hábitos que traz há décadas.
É preciso dar-se um tempo maior, respeitar seu ritmo
e ser perseverante. Precisamos saber que as pessoas só
notam nossa mudança comportamental quando praticamente
já modificamos tudo o que era necessário.
Por isso, não desanime se seu cliente ainda não
percebeu que você mudou como pessoa. Cada um requer
um tempo para si! Vá em frente, com perseverança,
e tenha esse feedback como estímulo para continuar
em sua trajetória.
A questão não é pensar para si, e sim
pensar certo. E isso implica o conhecimento da empresa,
avaliar o que ela é, o que pode produzir para o mercado
e como chegar a um denominador comum entre este e aquela.
Para tanto, não basta apenas o conhecimento técnico,
racional e intelectual. É necessário um conjunto
de crenças e valores para pensar e transmitir nossos
conhecimentos.
O novo profissional não nasce isolado do contexto
mais amplo que é a própria mudança
da sociedade da era da informação. O caminho
em direção ao novo milênio pode reservar
boas surpresas desde que você se prepare para recebê-Io!
O bem-estar da humanidade como um todo e, em contrapartida,
a maior valorização do indivíduo parecem
estar refletidos em duas tendências atuais: a globalização,
de um lado, e a apreciação das particularidades
culturais, de outro. Esses dois pólos aparentemente
opostos estão procurando harmonizar-se pela primeira
vez na História da humanidade.
A ciência de modo geral vem buscando a mudança
de seus padrões referenciais para desfazer possíveis
distorções criadas pelos próprios homens,
em passado recente, quando construíram a sociedade
industrial.
Nesse sentido também a emergência das sociedades
de livre mercado e a decadência dos sistemas centralizados
parecem demonstrar a vitória do ser humano sobre
as relações de poder rígidas e sobre
a dependência.
Essa vitória parece indicar às pessoas que
as respostas de suas questões estão dentro
delas mesmas. Passam a ser responsáveis por tudo
o que está a sua volta, já que interagem com
um todo integrado.
A valorização do aspecto humano parece encontrar
respaldo no interesse que vêm despertando as artes
e tudo aquilo que está relacionado ao espírito.
O fim do século mostra um verdadeiro mergulho dentro
de nossa essência, um processo de redescoberta do
ser humano.
É o momento certo para dar vazão ao nosso
lado criativo e empreendedor. Para tomar a iniciativa de
gerar coisas inéditas e ajustadas ao novo tempo.
É hora de nutrir as necessidades autênticas
da sociedade contribuindo para o processo de construção
de um mundo alinhado com os valores que colocam a preocupação
com a integridade do ser humano em primeiro lugar.
Esses valores destacam a importância da flexibilidade,
da abertura da mente, da ousadia de propor o novo, da imaginação
produtiva, da visão da totalidade das oportunidades
que se abrem a nossa frente.
É por isso que nunca foi tão importante buscar
o autodesenvolvimento, o reconhecimento das principais necessidades
e o aprimoramento das qualidades a partir da essência.
Ao mesmo tempo em que o indivíduo ganha importância,
o trabalho de equipe e a cooperação mútua
também são valorizados, já que há
necessidade de as pessoas quebrarem certo isolamento em
uma sociedade em que realmente a união fará
a força!
O diálogo se impõe como caminho da solução
dos problemas mais intrincados. Portanto, a boa comunicação
é imprescindível para nos fazermos entender
e para construirmos uma sólida carreira, em que cada
palavra valerá realmente aquilo que quer dizer.
Precisamos nos dar conta do significado espiritual da entrada
do novo milênio. Ele possui a força de evocar
nossas visões mais positivas e poderosas desde que
nos abramos para que isso venha.
Os avanços mais importantes do próximo século
não virão da tecnologia, mas da expansão
de conceitos relacionados de modo direto com nossa mente
e nosso espírito. Com isso, a humanidade não
está abandonando a ciência, mas equilibrando-a
e reafirmando seu valor de outra forma, mais completa. E
aqui cabe a cada um de nós fazer a sua parte, ser
esse novo profissional que inaugura o milênio tendo
um compromisso com a vida!