O MONGE E O EXECUTIVO



Cap. 4

O Verbo
Não tenho necessariamente que gostar de meus jogadores e sócios, mas como líder devo amá-Ios. O amor é lealdade, o amor é trabalho de equipe, o amor respeita a dignidade e a individualidade. Esta é a força de qualquer organização.

ERAM QUATRO HORAS de uma manhã de quarta-feira e eu estava totalmente desperto na cama, olhando para o teto. Embora estivéssemos na metade da semana, parecia que o tempo não passara e que eu acabara de chegar. Na mesma proporção em que o sargento me irritava, eu estava especialmente impressionado com o nível de meus companheiros de retiro e achava as palestras fascinantes, a região bonita e a comida excelente.

Acima de tudo, estava intrigado com Simeão. Ele era mestre em facilitar as discussões em grupo e extrair pensamentos interessantes de cada participante. Os princípios que discutíamos, apesar de bastante simples e às vezes quase óbvios, eram profundos a ponto de me manterem acordado à noite.

Sempre que eu falava com Simeão, ele parecia prestar atenção a cada palavra, o que me fazia sentir valorizado e importante. Era mestre em avaliar situações, analisá-Ias rapidamente e chegar ao âmago da questão. Quando desafiado, nunca ficava na defensiva, e eu estava convencido de que ele era o ser humano mais seguro que eu jamais conhecera. Eu me sentia grato por ele não me impor sua religião ou outras crenças, mas nem nesse aspecto Simeão era passivo. Ele expunha claramente sua posição a respeito das coisas. Sua natureza era gentil e apaziguadora, ele tinha um sorriso permanente e um brilho nos olhos que transmitia uma verdadeira alegria de viver.

Mas o que eu iria aprender com Simeão? Meu sonho recorrente continuava a me perturbar: "Encontre Simeão e ouça-o!" Haveria alguma razão ou propósito maior para eu estar ali, como Rachel e Simeão acreditavam? Então, qual seria ela?

Como a semana iria acabar em breve, prometi a mim mesmo empenhar-me ao máximo para descobrir.

SIMEÃO ESTAVA SENTADO sozinho na capela quando eu cheguei dez minutos antes naquela manhã de quarta-feira. Seus olhos estavam fechados e ele parecia meditar, por isso sentei-me numa cadeira ao seu lado, silenciosamente. Mesmo sentado em silêncio ao lado desse homem, eu não sentia qualquer constrangimento.

Vários minutos se passaram até que ele se virasse para mim e perguntasse: - O que você tem aprendido aqui, John?

Buscando algo para dizer, a primeira coisa que me ocorreu foi: - Fiquei fascinado por seu modelo de liderança, ontem. Faz perfeito sentido para mim.

- As idéias e o modelo não são meus - Simeão me corrigiu. 8Tomei emprestados de Jesus.

- Sim, Jesus - eu disse me mexendo na cadeira. - Acho que você sabe, Simeão, que eu não sou uma pessoa muito religiosa.
- É claro que você é - ele disse gentilmente, como se não houvesse dúvida a respeito disso.

- Você mal me conhece, Simeão. Como pode afirmar isso?

- Porque todo mundo tem uma religião, John. Todos nós temos alguma espécie de crença a respeito da origem, natureza e finalidade do universo. Nossa religião é simplesmente nosso mapa, nosso paradigma, as crenças com que respondemos às difíceis questões existenciais. São perguntas assim: como o universo foi criado? O universo é um lugar seguro ou hostil? Por que estou aqui? O universo foi feito ao acaso ou há uma finalidade maior? Há algo depois da morte? Todos nós pensamos nessas coisas, claro que alguns mais do que outros. Até os ateus são pessoas religiosas, porque eles também têm respostas para essas perguntas.

- Provavelmente eu não passo muito tempo pensando em coisas espirituais. Sempre fui à igreja luterana local, assim como meus pais, acreditando ser a coisa certa a fazer.

- Lembre-se do que dissemos em sala de aula, John. Tudo na vida é relacional, tanto verticalmente para Deus quanto horizontalmente para o próximo. Cada um de nós tem que fazer escolhas a respeito desses relacionamentos. Para crescer e amadurecer, os relacionamentos têm que ser cuidadosamente desenvolvidos e alimentados. Cada um de nós deve fazer suas escolhas a respeito do que acredita e do que essas crenças representam em nossa vida. Alguém uma vez disse que cada pessoa tem que fazer suas próprias crenças, assim como cada um tem que fazer a própria morte.

- Mas, Simeão, como se espera que saibamos em que acreditar? Como saber o que é a verdade? Há tantas religiões e crenças para escolher.

- Se você realmente está perguntando e buscando a verdade, John, acredito que encontrará o que procura.
AO FINAL DAS NOVE BADALADAS, Simeão estava pronto para iniciar. - Como avisei ontem, nosso tópico hoje é amor. Sei que talvez seja um pouco desconfortável para alguns de vocês.

Olhei para o sargento, esperando testemunhar uma explosão, mas ele não chegou a fazer fumaça. Depois de alguns momentos de silêncio, Simeão continuou: - Chris perguntou ontem: "O que o amor tem a ver com isso?" Pois eu quero lhes dizer com muita ênfase que para compreender liderança, autoridade, serviço e sacrifício é importante conhecer esta palavra importante. Comecei a entender o significado real do amor há muitos anos, ainda na faculdade. Eu estudava filosofia naquela época, e alguns de vocês podem se surpreender, mas eu era um verdadeiro ateu.

- Não é possível - Greg gritou. - O Senhor Frade Renascido em pessoa, um descrente? Como pode ser isso, irmão?

Rindo, Simeão respondeu: - Porque, Greg, eu tinha estudado todas as religiões e nenhuma me parecia plausível. O cristianismo, por exemplo. Eu realmente tentava entender o que Jesus queria dizer, mas ele continuava voltando à palavra amor. Disse para "amar seu próximo", o que eu imaginava ser possível contanto que tivesse bons vizinhos. Mas, para piorar as coisas, Jesus insistia em que amássemos "nossos inimigos". Para mim aquilo era pior do que absurdo. Amar Adolf Hitler? Amar a Gestapo? Amar um assassino? Como ele podia ordenar que as pessoas fabricassem uma emoção como o amor? Principalmente com relação a pessoas nada amáveis? Para usar suas palavras, Greg, "comigo não!".

- Agora você está pregando, querido! - o sargento sorriu.
- Então surgiu uma crise em meus paradigmas a respeito da vida e do amor. Uma noite, vários colegas e eu nos reunimos para tomar umas cervejas na taberna local. Um dos professores de línguas veio juntar-se a nós e logo a conversa mudou para as grandes religiões do mundo, até chegar ao cristianismo. Eu disse algo parecido com: "Sim, amar nossos inimigos. Que piada! Então tenho que amar um estuprador!" O professor de línguas me interrompeu dizendo que eu estava interpretando mal as palavras de Jesus. Ele explicou que, ao pensar em amor, eu estava confundindo sentimento com ação. Você sabe, a partir do momento em que tenho sentimentos positivos a respeito de alguma coisa ou alguém, posso dizer que os amo. Geralmente associamos amor com bons sentimentos.
- É verdade, Simeão - a diretora concordou. - De fato, ontem à noite fui à biblioteca e procurei amor no dicionário. Havia três definições e eu as escrevi todas: número um, forte afeição; número dois, ligação calorosa; número três, atração baseada em sentimentos sexuais.
- Você vê o que eu quero dizer Teresa? O amor é definido um tanto mesquinhamente, e a maioria das definições envolve sentimentos positivos. O professor de línguas me explicou que muito do Novo Testamento foi originalmente escrito em grego, e os gregos usavam várias palavras diferentes para descrever o multifacetado fenômeno do amor. Se bem me lembro, uma dessas palavras era Eros, da qual se deriva a palavra erótico, e significa sentimentos baseados em atração sexual e desejo ardente. Outra palavra grega para amor, storgé, é afeição, especialmente com a família e entre os seus membros. Nem Eros nem Storgé aparecem nas escrituras do Novo Testamento. Outra palavra grega para amor era Philos, ou fraternidade, amor recíproco. Uma espécie de amor condicional, do tipo "você me faz o bem e eu faço o bem a você" Finalmente, os gregos usavam o substantivo Agapé e o verbo correspondente Agapaó para descrever um amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. É o amor da escolha deliberada. Quando Jesus fala de amor no Novo Testamento, usa a palavra Agapé, um amor traduzido pelo comportamento e pela escolha, não o sentimento do amor.

- Pensando nisso agora - a enfermeira acrescentou -, parece bobagem tentar mandar alguém ter um sentimento ou emoção por alguém. Neste sentido, aparentemente Jesus Cristo não queria dizer que nós devemos fazer de conta que as pessoas ruins não são ruins, ou nos sentir bem a respeito de pessoas que agem indignamente. O que ele queria dizer era que devemos nos comportar bem em relação a elas. Eu nunca tinha pensado nisso dessa maneira.

A treinadora aparteou: - Claro! Os sentimentos de amor talvez possam ser a linguagem do amor ou a expressão do amor, mas esses sentimentos não são o que o amor é. Como Teresa disse ontem, "o amor é o que o amor faz".

- Falando nisso - acrescentei -, eu percebo claramente que há ocasiões em que minha mulher não gosta muito de mim. Mas ela permanece ao meu lado, de qualquer modo. Ela pode não gostar de mim, mas continua a me amar e manifesta isso por suas ações e envolvimento.

- Sim - o sargento acrescentou surpreendentemente. - Ouvi sujeitos me falarem muitas e muitas vezes o quanto amam suas esposas. Eles falam isso sentado nos bares, caçando mulheres. Ou pais que se derretem de amor pelos filhos, mas não conseguem separar quinze minutos do dia para ficar com eles. E alguns dos companheiros do
Exército, que fazem grandes declarações de amor às garotas quando o que querem é ir para a cama com elas. Portanto, dizer e fazer não são a mesma coisa, não é?

_ Você pegou a idéia - disse Simeão sorrindo. - Nem sempre posso controlar o que sinto a respeito de outra pessoa, mas posso controlar como me comporto em relação a outras pessoas. Os sentimentos variam, dependendo do que aconteceu na véspera! Meu vizinho talvez seja difícil e eu posso não gostar muito dele, mas posso me comportar amorosamente. Posso ser paciente com ele, honesto e respeitoso, embora ele opte por comportar-se mal.

- Acho que estou me confundindo, irmão Simeão - o pregador interferiu. - Eu sempre acreditei, ao menos esse tem sido meu paradigma, que, quando Jesus disse para "amar seu próximo", ele estava pedindo para que tivéssemos afeto por ele.

- Este é o Jesus que vocês pregadores inventaram para anestesiar as pessoas - zombou o sargento. - Como é que você pode ordenar a alguém que tenha sentimentos positivos por alguém? Bom comportamento ainda dá, mas sentimentos positivos por idiotas é uma grande besteira!
- Por que você tem sempre que ser tão rude com as pessoas? - eu praticamente gritei.

AUTORIDADE E LIDERANÇA AMOR AGAPÉ
Honesto, confiável Paciência
Bom modelo Bondade
Cuidadoso Humildade
Comprometido Respeito
Bom ouvinte Generosidade
Mantém as pessoas responsáveis Perdão
Trata as pessoas com respeito Honestidade
Incentiva as pessoas Compromisso
Atitude positiva, entusiástica Gosta das pessoas

- Só estou dizendo como as coisas são, grande homem.
- E, geralmente, à custa de alguém - retruquei, esperando uma reação, mas Greg apenas me encarou.
Simeão caminhou em direção ao quadro e escreveu:

AMOR E LIDERANÇA
- O Novo Testamento nos dá uma linda definição de amor Agapé, que ilustra o que estamos dizendo. Essa passagem era uma das favoritas de Abraham Lincoln, Thomas Jefferson e Roosevelt. É sempre lida nos casamentos cristãos. Alguém sabe a que me refiro?
- Ah, sim - respondeu a treinadora. - É a epístola aos Coríntios, que fala das características do amor, não é?
- Essa mesma, Chris - Simeão confirmou. - É o capítulo treze. Diz, em essência, que o amor é paciente, bom, não se gaba nem é arrogante, não se comporta inconvenientemente, não quer tudo só para si, não condena por causa de um erro cometido, não se regozija com a maldade, mas com a verdade, suporta todas as coisas, agüenta tudo. O amor nunca falha. Esta lista de qualidades lhes parece familiar?
Eu observei: - Parece muito com a lista das qualidades de liderança que apresentamos no último domingo, não é?
- Muito parecida, não é, John? - Simeão respondeu sorrindo.
- Parafraseando a passagem dos pontos-chave, o amor é: paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, perdão, honestidade, confiança. - Ele escreveu cada palavra no quadro. - Em que lugar da lista vocês vêem um sentimento?
- Todos me parecem comportamentos - respondeu a treinadora.
- Vocês concordam que a linda definição de amor Agapé, escrita há cerca de dois mil anos, também é uma bonita definição de liderança, hoje?
- Amor Agapé e liderança são sinônimos. Interessante, muito interessante - o pregador pensou consigo mesmo em voz alta. - Sabe, na velha versão do Novo Testamento, Agapé foi traduzido como caridade. Caridade e serviço talvez definam melhor Agapé do que a definição de amor que se encontra nos dicionários.
Simeão voltou ao quadro e escreveu nossa lista de qualidades de caráter do domingo anterior, junto às palavras-chave.
Simeão continuou: - Depois do intervalo, eu gostaria de pedir a Teresa que trouxesse o dicionário da biblioteca para podermos definir melhor esses comportamentos. Acho que os resultados irão surpreender alguns de vocês. Estão de acordo?
- Temos escolha? - o sargento perguntou.
- Nós sempre temos escolha, Greg - respondeu Simeão com firmeza.

A DIRETORA ESTAVA COM O DICIONÁRIO aberto no colo, pronta para iniciar. - Simeão, procurei a primeira palavra, paciência, e ela é definida como "mostrar autocontrole em face da adversidade".
Simeão escreveu a definição.
Paciência - mostrar autocontrole
- Deus, conceda-me paciência! - disse Simeão com um sorriso. ¨Será que a paciência, isto é, mostrar autocontrole, é uma importante qualidade de caráter para um líder?
A treinadora falou primeiro: - O líder deve ser exemplo de bom comportamento para os jogadores, as crianças, os empregados, ou quem quer que esteja liderando. Se o líder gritar ou perder o controle, podem estar certos de que o time também perderá o controle e tenderá a agir de forma irresponsável.
- Também é importante - a enfermeira acrescentou - que você crie um ambiente seguro, em que as pessoas possam cometer erros sem terem medo de ser advertidas de forma grosseira, aos berros. Se Você bater num bebê que está aprendendo a andar cada vez que ele cair, o bebê ficará inibido e evitará caminhar para não se arriscar a levar outra surra, não é? Provavelmente ele irá sentir que é mais seguro engatinhar, com a cabeça baixa, sem se arriscar. Exatamente Como alguns empregados amedrontados que conheço.
- Ah, saquei - o sargento sorriu maliciosamente. - Se minhas tropas fizerem tudo errado, eu devo falar com muito jeito, sem ficar zangado. Sem dúvida vou obter muito sucesso agindo assim...
- Eu acho que não é disso que estamos falando, Greg - a diretora retrucou. - O líder tem o dever de fazer com que as pessoas se responsabilizem por suas tarefas, apontando suas deficiências. No entanto, há várias maneiras de fazer isso, sem ferir a dignidade dos outros.

Eu me surpreendi dando uma opinião: - Em nossa organização, lidamos com voluntários, que são pessoas adultas. Não são escravos, nem animais que devemos açoitar. Nosso trabalho como líderes é mostrar-Ihes a distância entre seu desempenho e o desempenho esperado pela empresa. Isto pode e deve ser feito de forma calma, respeitosa e firme. Não precisa ser uma bronca.
O pregador apropriou-se de meus comentários, dizendo: "Disciplina vem da mesma raiz de discípulo, que significa ensinar ou treinar. O objetivo de qualquer ação disciplinar deve ser corrigir ou mudar o comportamento, treinar a pessoa, e não punir a pessoa. E a disciplina pode ser progressiva: primeira advertência, segunda advertência, aviso final e, por último, "você não pode mais fazer parte deste time".

- Vamos continuar - sugeriu a treinadora. - Como o dicionário define a palavra bondade, Teresa?
Bondade - dar atenção, apreciação, incentivo

Simeão explicou: - Como a paciência e todos os traços de caráter que discutimos, a bondade fala a respeito da forma como agimos, e não como nos sentimos. Vamos considerar a palavra atenção, para começar. Por que a capacidade de dar atenção aos outros seria uma importante qualidade de caráter para um líder?

- Por causa do que aprendemos com o efeito Hawthorne - eu me surpreendi respondendo.


- E o que é o efeito Hawthorne, Johnny, velho companheiro? - o sargento me provocou.
- Se eu me lembro bem, Greg, há muitos anos um pesquisador de Harvard, chamado Mayo, queria demonstrar numa fábrica da Western Electric, em Hawthorne, New Jersey, que havia uma relação direta e positiva entre a melhoria da higiene do trabalhador e sua produtividade. Uma das experiências consistiu simplesmente em aumentar as luzes da fábrica. Constataram que a produtividade dos trabalhadores aumentou. Quando estavam se preparando para continuar a estudar outra faceta da higiene do trabalhador, inadvertidamente os pesquisadores diminuíram as luzes para não misturar as variáveis. Adivinhe o que aconteceu com a produtividade do trabalhador?

- Diminuiu, é claro - respondeu o sargento parecendo chateado.

- Não, Greg, a produtividade dos trabalhadores continuou aumentando! Portanto, o aumento da produtividade não foi causado pelas lâmpadas mais fortes e mais fracas, mas por alguém estar prestando atenção às pessoas. Isso ficou conhecido como o efeito Hawthorne.

- Obrigada por compartilhar isso comigo, John - Simeão agradeceu. - Eu tinha esquecido essa história. Prestar atenção às pessoas foi o que importou. E eu acabei acreditando que, de longe, a maior maneira que temos de prestar atenção às pessoas é ouvindo-as ativamente.

- O que exatamente quer dizer ouvir ativamente, Simeão? - a enfermeira perguntou.
- Muitas pessoas acham erradamente que ouvir é um processo passivo que consiste em ficar em silêncio enquanto outra pessoa fala. Podemos até nos considerar bons ouvintes, mas o que fazemos na maior parte das vezes é ouvir seletivamente, fazendo julgamentos sobre o que está sendo dito e pensando em maneiras de terminar a conversa ou direcioná-Ia de modo mais prazeroso para nós.

A diretora acrescentou: - Alguém disse certa vez que, se não soubéssemos que a seguir seria nossa vez de falar, ninguém ouviria!
Simeão balançou a cabeça com um sorriso. - Podemos pensar quatro Vezes mais rápido do que falamos. Por isso há muito ruído interno - conversação interna - acontecendo em nossa cabeça enquanto ouvimos.
Tenho que admitir que enquanto Simeão dizia essas palavras minha mente estava lá em casa pensando no que Rachel estaria fazendo naquele momento.
- A tarefa de ouvir ativamente acontece em sua cabeça - ele continuou. - O ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano. Isso exige sacrifício, uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo da outra pessoa - mesmo que por poucos minutos. O ouvinte ativo tenta ver as coisas como quem fala as vê e sentir as coisas como quem fala as sente. Essa identificação com quem fala se chama empatia e requer muito esforço.

A enfermeira acrescentou: - No centro neonatal, definimos empatia como presença total junto à paciente. Presença total não é apenas física, mas mental e emocional também. Não é fácil, principalmente quando há tantas solicitações externas puxando por você. É sinal de respeito estar totalmente presente com alguém que está dando à luz, ouvindo e adivinhando suas necessidades. Nos primeiros tempos como enfermeira de maternidade, muitas vezes eu estava lá fisicamente, mas psicologicamente a quilômetros de distância. Quando estamos totalmente presentes, acho que os pacientes dos mais diversos níveis sentem a diferença e agradecem pelo esforço.

A diretora balançou a cabeça concordando: - Há quatro maneiras essenciais de nos comunicarmos com os outros - ler, escrever, falar e ouvir. As estatísticas mostram que na comunicação uma pessoa gasta em média sessenta e cinco por cento do tempo ouvindo, vinte por cento falando, nove por cento lendo e seis por cento escrevendo. No entanto, nossas escolas ensinam bastante bem a ler e escrever, e talvez até ofereçam uma ou duas línguas eletivas, mas não fazem nenhum esforço para ensinar a prática de ouvir. E esta é a habilidade que as crianças precisarão usar mais.

- Interessante, Teresa. Obrigado. - Simeão continuou: - E quais são as mensagens conscientes e inconscientes que enviamos às pessoas quando nos doamos e as ouvimos atentamente?

A enfermeira respondeu: - O fato de desejarmos colocar de lado todas as distrações, até as distrações mentais, envia uma mensagem poderosa à pessoa que está falando de que você realmente se importa com ela. Que essa pessoa é importante para você. É verdade, Simeão, ouvir é provavelmente nossa grande oportunidade de dar atenção aos outros diariamente, dizendo-Ihes o quanto os valorizamos.

A diretora acrescentou: - No início de minha carreira, eu acreditava que meu trabalho era resolver todos os problemas de professores e alunos sempre que surgissem. Ao longo dos anos, aprendi que ouvir e compartilhar o problema da outra pessoa alivia sua carga. Há um efeito catártico em fazer-se ouvir atentamente por outra pessoa e poder expressar-lhe nossos sentimentos. Na parede de minha sala na escola tenho uma citação de um velho faraó egípcio chamado Ptahhotep, que diz: 'aqueles que precisam ouvir os apelos e gritos de seu povo devem fazê-Io com paciência. Porque as pessoas querem muito mais atenção para o que dizem do que para o atendimento de suas reivindicações".

Simeão sorriu, aprovando: - Prestar atenção às pessoas é uma necessidade humana legítima, que não devemos negligenciar como líderes. Lembrem-se, o papel do líder é identificar e satisfazer necessidades legítimas. Ainda me lembro do que minha mãe me disse há cinqüenta anos, no dia em que me casei com minha linda mulher, Rita, Deus tenha sua alma. Ela me disse que nunca ignorasse uma mulher. Desconhecer este conselho na minha relação com Rita me pôs em maus lençóis mais de uma vez! Uma das principais tarefas do amor é prestar atenção às pessoas.

- Pensando nisso - eu disse -, quando houve o movimento sindical na fábrica, me falaram muitas vezes que os empregados se sentiam como se os tivéssemos esquecido, que já não prestávamos atenção neles como fazíamos anos antes.
- Obrigado a todos por seus comentários - respondeu Simeão. Voltando à nossa definição de bondade, Teresa leu para nós que bondade era dar atenção, apreciação e incentivo aos outros. Você acredita que as pessoas têm necessidade de apreciação e incentivo, ou isso é apenas uma vontade?

O sargento rebateu: - Eu não preciso dessa apreciação. Diga-me qual é o trabalho a ser executado e ele será feito. É assim que eu lidero minha tropas, porque foi para isso que os homens se alistaram e é para isso que estão sendo pagos. Por que cargas-d'água devo fazer todas essas coisas mornas e macias?

O pregador respondeu primeiro: - William James, provavelmente um dos grandes filósofos que este pais já produziu, uma vez disse que no centro da personalidade humana está a necessidade de ser apreciado. Acho que todos os que disserem que não têm necessidade de serem apreciados estarão mentindo a respeito de outras coisas também.
- Vai com calma, pregador - o sargento avisou.

A enfermeira o interpelou: - Greg, eu sempre admirei os militares por causa das medalhas e comendas que davam como demonstração pública de sua apreciação pelo serviço e realizações.
- Um general sábio uma vez disse - a diretora acrescentou – que o homem nunca venderá sua vida a você, mas a dará de graça por um pedaço de fita colorida.
. Eu também falei: - Imaginem se eu dissesse à minha mulher:
"Querida, eu disse que amava você quando nos casamos. Se deixar de amá-Ia, não se preocupe. Voltarei para casa uma vez por semana trazendo um cheque." Que tipo de relacionamento seria esse?
Para minha surpresa, o sargento balançou a cabeça a cada um dos comentários, sem contestar.
A enfermeira disse outra vez: - Uma das mentoras de minha vida foi minha primeira enfermeira instrutora em trabalho de parto, há quase vinte anos. Uma vez ela me contou que gostava de imaginar cada funcionária usando aquele tipo de anúncio sanduíche. Na parte da frente, o anúncio diria "Aprecie-me", e na de trás, "Faça-me Sentir Importante". Aquela mulher tinha grande autoridade com as pessoas. Eu só não sabia, naquele tempo, que o nome era autoridade.

A professora continuou. - Podemos manifestar bondade, uma das qualidades do amor, independentemente dos nossos sentimentos por alguém. Como já dissemos, amor não é como nos sentimos a respeito dos outros, mas como nos comportamos com os outros. Deixe-me ler o que George Washington Carver disse sobre a bondade: "Seja bom com os outros. A distância que você caminha na vida vai depender da sua ternura com os jovens, da sua compaixão com os idosos, sua compreensão com aqueles que lutam, da sua tolerância com os fracos e os fortes. Porque algum dia na vida você poderá ser um deles".
A treinadora disse: - Também acho importante elogiar as pessoas. Valorize as coisas boas que elas fazem em vez de ser como o "gerente gaivota", que vive procurando pegar os erros das pessoas.

- Sabe o velho ditado: ''Achamos o que buscamos"? - foi a vez do pregador. - É verdade. Os psicólogos chamam isso de "percepção seletiva'. Por exemplo, minha mulher e eu começamos a procurar uma minivan, e nos interessamos por uma determinada marca. Antes de procurar uma van desta marca para comprar, eu nunca prestara atenção nelas, nas estradas. Mas, a partir do momento em que me interessei, comecei a vê-Ias por todo lado! Acho que o mesmo acontece com o líder. Quando começa a procurar o bem nos outros, ficando atento para o que as pessoas fazem bem, de repente você começa a ver coisas que nunca tinha visto antes.

A professora acrescentou: - Receber elogio é uma legítima necessidade humana, essencial nos relacionamentos saudáveis. Entretanto, há duas coisas importantes a considerar. Uma é que o elogio deve ser sincero. Dois, deve ser específico. Entrar num departamento da empresa dizendo "todo mundo fez um grande trabalho" será insuficiente e pode até causar ressentimento, porque talvez nem todos tenham feito um grande trabalho. É importante ser sincero, específico, e dizer: "Joe, parabéns por ter produzido duzentas e cinqüenta peças ontem à noite. Grande realização!" E nós sabemos Como é importante reforçar um comportamento específico, porque o que é reforçado é repetido.
- Vamos ver a terceira palavra em nossa definição de amor. É humildade - a diretora falou, folheando o dicionário.
Humildade - ser autêntico, sem pretensão, orgulho ou arrogância.
A diretora perguntou: - Qual é a importância da humildade para um líder, Simeão? Quase todos os líderes que conheço são muito egoístas e pretensiosos.
O sargento retrucou: - O líder tem que ser um chefe forte, capaz de dar um chute no traseiro quando necessário. Desculpe, mas não compro essa idéia.

O pregador interveio: - A Torá, que é o primeiro dos cinco livros do Velho Testamento, afirma no Livro dos Números que o homem mais humilde que jamais viveu foi Moisés. Lembre-se quem foi Moisés. Foi quem atirou as tábuas com os Dez Mandamentos montanha abaixo num acesso de raiva, quem matou um egípcio que matara um companheiro hebreu, foi aquele que estava constantemente discutindo e brigando com Deus. Ele lhe parece um tipo de homem tímido, digno de pena, Greg?
- Qual é a sua, pregador? - Greg respondeu sarcasticamente.
A treinadora interferiu suavemente: - Acho que o que queremos de nossos líderes é autenticidade, a habilidade de serem verdadeiros com as pessoas - nós não queremos líderes inchados de orgulho e fixados em si mesmos. O ego pode de fato interpor-se no caminho e criar barreiras entre os líderes e seus liderados. Os líderes arrogantes que acham que sabem tudo são um estrago para muitas pessoas. Essa arrogância também é uma pretensão desonesta, porque ninguém sabe tudo ou tem tudo. Humildade para mim é pensar menos a respeito de si mesmo.
- Precisamos uns dos outros - a enfermeira disse tranqüilamente.

- Os arrogantes e orgulhosos fingem que não precisam. O individualismo que predomina em nosso país é mentiroso e cria a ilusão de que não somos e não devemos ser dependentes de outras pessoas. Que piada! Um par de mãos me tirou do útero de minha mãe ao nascer, outro trocou minhas fraldas, me alimentou, me nutriu, outro ainda me ensinou a ler e escrever. Agora, outros pares de mãos cultivam minha comida, entregam minha correspondência, coletam meu lixo, fornecem-me eletricidade, protegem minha cidade, defendem minha nação. Um par de mãos cuidará de mim e me confortará quando eu ficar doente e velha, e, por fim, outro par de mãos me levará de volta à terra quando eu morrer.

Simeão folheou suas notas e disse: - Um professor anônimo de espiritualidade uma vez escreveu: "Ser humilde é ser real e autêntico com as pessoas e descartar as máscaras falsas." O que vem a seguir, Teresa?
- Respeito - a diretora começou a ler outra vez: - O respeito é definido assim: "tratar as pessoas como se fossem importantes".
Respeito - tratar as pessoas como se fossem importantes.

- Agora você me confundiu de vez! - o sargento disse. - Isto é, eu comecei a ficar nervoso quando você falou sobre influência e amor. Agora você diz que tenho que beijar o traseiro das pessoas com bondade, apreciação e respeito. Ouça, sou sargento, fui treinado para agir usando a autoridade, este é meu estilo. O que você me pede não é natural para mim.
- Greg - Simeão interveio calmamente -, se eu trouxesse um general de exército à sua base, creio que você seria muito respeitoso e reconhecido e exibiria muitos dos comportamentos sobre os quais estamos discutindo. Usando seus termos, provavelmente eu veria muita "puxação de saco" na sua atitude, não é mesmo?
Encarando Simeão, o sargento respondeu: - Esteja certo que sim! O general é um homem muito importante e merece e terá esse respeito de minha parte.
- Ouça o que você está dizendo, Greg - falei. - Você está dizendo que sabe como respeitar e apreciar, você sabe como "puxar o saco", mas deseja apenas fazer isso pelas pessoas que considera importantes. Assim, você é capaz de ter comportamentos positivos, mas é muito seletivo em relação às pessoas a quem os destina.
Simeão retomou a palavra a partir daí: - Vocês acham que podemos tratar todos aqueles que lideramos como pessoas muito Importantes? Imagine tratar Chucky da retroescavadeira como se fosse o presidente da companhia, ou nossos alunos como se fossem membros da diretoria, ou enfermeiras como se fossem médicos, e soldados rasos como se fossem generais. Greg, você poderia tratar cada membro de seu pelotão como se fosse um general importante?
- Sim, é possível, eu acho, mas seria muito difícil - o sargento concordou relutante.
- Isso mesmo, Greg - Simeão continuou. - Como sempre digo, a liderança requer muito amor. Os líderes devem escolher se desejam ou não dedicar-se àqueles que lideram.

- Mas eu só respeito as pessoas quando elas merecem! - o sargento continuou a objetar. - Afinal, é preciso merecer respeito, não é?
A enfermeira, com seu jeito suave e amigável de falar, respondeu: _ Acredito que Deus não criou "lixo humano", apenas pessoas com problemas de comportamento. E todos nós temos problemas de comportamento. Mas acho que todos nós deveríamos ser dignos de manifestações de respeito apenas por sermos seres humanos. A definição que Teresa leu foi "tratar as pessoas como se fossem importantes". Acho que deveríamos acrescentar no final da definição "porque elas são importantes". E se você não aceitar esta idéia, tente outra, a de que as pessoas deveriam merecer "manifestações de respeito" justamente por serem do seu time, do seu pelotão, do seu departamento, da sua família, do seu o que quer que seja. O líder deve ter um interesse especial no sucesso daqueles que lidera. De fato, um de nossos papéis como líder é apoiá-Ios e incentivá-Ios para que se tornem bem-sucedidos.
Aquela mulher continuava a me assombrar.
Olhando para o relógio, o sargento disse: - Está bem, está bem, compreendo, mas é melhor irmos andando. Com certeza não queremos perder a cerimônia religiosa do meio-dia, não é mesmo?
SIMEÃO REASSUMIU logo depois da segunda badalada.
- Qual é a próxima palavra de nossa definição do amor, Teresa?
- Primeiro, quero fazer-lhe uma pergunta, irmão Simeão. por que os frades são tão neuróticos a respeito do tempo? Isto é, por que as coisas têm que ser feitas nas horas exatas, nem um segundo depois?
- Estou contente por você ter perguntado, Teresa. Para dizer a verdade, eu era um tanto fanático a respeito do tempo muito antes de vir para este lugar. Lembre-se, tudo o que o líder faz envia uma mensagem. Se nos atrasamos para uma entrevista, reunião ou outros compromissos, qual é a mensagem que estamos enviando aos outros?
- Pessoas atrasadas me deixam louca! - a treinadora exclamou. Estou gostando muito do fato de o tempo ser respeitado aqui, porque gosto de saber o que esperar. Respondendo à sua pergunta, Simeão, eu capto várias mensagens quando uma pessoa se atrasa. Uma é que o tempo dela é mais importante do que o meu, mensagem que considero bastante arrogante. Atrasar-se também transmite a mensagem de que eu não devo ser muito importante para a pessoa, porque ela certamente seria pontual com alguém que ela achasse importante. Também me passa que a pessoa não é muito honesta, porque pessoas honestas cumprem a palavra e seguem os compromissos, inclusive os de tempo. Atrasar-se é um comportamento extremamente desrespeitoso e, pior, cria hábito. - A treinadora tomou fôlego depois do discurso. - Obrigada, por permitir-me pregar.
Simeão sorriu, dizendo: - Acho que não há nada mais a ser dito a respeito disso. Espero ter respondido às suas perguntas, Teresa. Qual é a próxima definição?
Abnegação - satisfazer as necessidades dos outros
- Obrigado, Teresa. O oposto de abnegação é egoísmo, que significa "minhas necessidades primeiro, ao diabo com suas necessidades", certo? Abnegação significa satisfazer as necessidades dos outros, mesmo que isso implique sacrificar suas próprias necessidades e vontades. Esta também seria uma linda definição de liderança. Satisfazer as necessidades dos outros mesmo antes das suas.
Surpreendentemente, o sargento disse: - No campo de batalha, as tropas sempre fazem suas refeições antes dos oficiais.
Eu me surpreendi protestando desta vez: - Mas se estamos sempre satisfazendo as necessidades das outras pessoas, elas não ficarão mimadas e começarão a tirar vantagem de nós?
- Você não ouviu bem, John, velho companheiro - o sargento riu em silêncio. - Devemos satisfazer necessidades, não vontades. Se dermos às pessoas o que elas legitimamente exigem para seu bem estar mental ou físico, acho que não devemos nos preocupar pensando que as estamos mimando. Lembre-se, John, satisfazer necessidades, e não vontades, ser um servidor, não um escravo. Como estou indo, Simeão?
A sala riu a bandeiras despregadas enquanto Simeão olhava para a diretora, em busca da definição seguinte.
- Perdão é nossa próxima palavra, e está definida como "desistir de ressentimento quando enganado".
Perdão - desistir de ressentimento quando enganado
Não é uma definição interessante? - Simeão começou. Desistir de ressentimento quando alguém enganou você. Por que este seria um importante traço de caráter para um líder desenvolver? - Porque as pessoas não são perfeitas e de uma maneira ou de outra agredirão você - a enfermeira respondeu. - Imagino que na posição de líder isso acontecerá muitas vezes.
O sargento também não gostou desta. - Então, se alguém me engana, eu simplesmente finjo que não me arruinou? Passo a mão em sua cabeça e digo que está tudo bem?
- Não, Greg - Simeão esclareceu. - Isso não seria liderar com integridade. Perdoar não significa desconhecer as coisas ruins que acontecem, nem deixar de lidar com elas à medida que surgem. Ao contrário, devemos ter um comportamento afirmativo com as pessoas, não um comportamento passivo de capacho, ou agressivo, que viole os direitos dos outros. Comportamento afirmativo consiste em ser aberto, honesto e direto com as pessoas, mas sempre de maneira respeitosa. Perdoar é lidar de um modo afirmativo com as situações que aparecem e depois desapegar-se de qualquer resquício de ressentimento. Como líder, se não for capaz de desapegar-se de qualquer resquício de ressentimento, você consumirá sua energia e se tornará ineficiente.
Senti vontade de falar: - Minha mulher é terapeuta e muitas vezes lembra a seus pacientes que o ressentimento destrói a personalidade humana. Acho que a maioria de nós conheceu pessoas que guardam ressentimentos durante muitos anos e se tornam amargas e muito infelizes.
- Obrigado, por todos os comentários - Simeão sorriu. - Vocês lembram que eu disse no domingo que todos nós juntos somos muito mais sábios do que qualquer um de nós? O que o dicionário define como honestidade, Teresa?
- A honestidade é definida como "livre de engano".
Honestidade - ser livre de engano
- Eu pensei que honestidade era não dizer mentiras - falou a treinadora lentamente. - Mas ser livre de engano é bem mais amplo, não é?
- Nós ensinamos às nossas crianças na escola - disse a diretora 0que a mentira é qualquer comunicação com a intenção de enganar os outros. Omitir informação ou esconder pedaços da verdade podem ser considerados "pequenas mentiras" socialmente aceitáveis, mas ainda assim são mentiras.
- Lembrem-se - Simeão continuou -, a honestidade é a qualidade que a maioria das pessoas colocou no topo de sua lista Como o que mais esperam de seu líder. Nós também falamos em confiança, que é construída pela honestidade e mantém a união nos relacionamentos. Mas a honestidade. com as pessoas também é o lado difícil do amor e o que lhe dá equilíbrio. A honestidade implica esclarecer as expectativas das pessoas, tornando-as responsáveis, dispondo-se a transmitir tanto as más notícias quanto as boas, dando às pessoas um retorno, sendo firme, previsível e justo. Em suma, nosso comportamento deve ser isento de engano e dedicado à verdade a todo custo.

Meu companheiro de quarto falou outra vez. - Em meu antigo emprego, meu primeiro chefe costumava dizer-me que, se não exigíssemos de nosso pessoal o cumprimento correto de suas tarefas, estaríamos sendo desonestos. Ela ia até mais longe ao dizer que os líderes que não estabelecem e exigem de seu pessoal um alto padrão de responsabilidade são ladrões e mentirosos. Ladrões porque estão roubando o acionista que lhes paga para contratarem empregados responsáveis, e mentirosos porque fingem que está tudo bem com seu pessoal quando de fato tudo está mal.

Acrescentei: - Conheci muitos supervisores que pensavam que, contanto que todo mundo estivesse feliz, a vida em seu setor correria bem. Eles se recusavam a discutir as deficiências de seus liderados com medo de perder prestígio ou de que as pessoas ficassem zangadas com eles. Na realidade, eu nunca me dei conta de como esse comportamento é desonesto. Acho que a maioria das pessoas quer e elas certamente querem - saber como são avaliadas pelo líder.
- Muito bem. Vamos ver compromisso, Teresa - Simeão pediu.
- Dê-me um segundo. Tudo bem, aqui está. Compromisso é definido como "ater-se às suas escolhas".
Compromisso - ater-se às suas escolhas.

Simeão ficou silencioso por um momento antes de dizer: - Compromisso é provavelmente o comportamento mais importante de todos. E por compromisso quero dizer comprometer-se com os compromissos feitos na vida. Isto é importante porque os princípios que estamos discutindo requerem um esforço enorme, e se você não estiver comprometido como líder provavelmente desistirá de exercer autoridade e voltará a uma posição de poder. Compromisso, infelizmente, não é uma palavra popular nos dias de hoje.

- É isso mesmo - disse a enfermeira. - Se não queremos o bebê, abortamos, se não queremos o cônjuge, nos divorciamos, e se não queremos o vovô, praticamos a eutanásia. Uma linda sociedade descartável.
O sargento sorriu e disse: - Sim, todos querem estar envolvidos, mas ninguém quer estar comprometido. Há uma grande diferença entre os dois. A próxima vez que vocês forem comer ovos com bacon lembrem-se disto: a galinha estava envolvida, mas o porco estava comprometido!

- Ótimo, Greg, eu tinha esquecido essa - eu disse, sentindo-me melhor a respeito do sargento à medida que o conhecia.
Ficamos quietos por algum tempo, considerando esses pensamentos. Finalmente, Simeão quebrou o silêncio, dizendo: - O verdadeiro compromisso envolve o crescimento do indivíduo e do grupo, juntamente com o aperfeiçoamento constante. O líder comprometido dedica-se ao crescimento e aperfeiçoamento de seus liderados. Ao pedirmos às pessoas que lideramos que se tornem o melhor que puderem, que se esforcem no sentido de se aperfeiçoarem sempre, devemos também demonstrar que nós, como líderes, estaremos também empenhados em crescer e nos tornarmos o melhor que pudermos. Isso requer compromisso, paixão, investimento nos liderados e clareza por parte do líder a respeito do que ele pretende conseguir do grupo.
- Esse amor, compromisso, liderança, essa doação aos outros, tudo isso me soa como um bocado de esforço e trabalho - eu disse com um suspiro.

- Aposto que sim, John - continuou Simeão -, mas foi com isso que nos comprometemos quando nos candidatamos a líderes. Ninguém jamais disse que seria fácil. Quando optamos por amar e doar-nos aos outros, estamos aceitando ser pacientes, bons, humildes, respeitosos, abnegados, generosos, honestos e comprometidos. Estes comportamentos exigirão que nos coloquemos a serviço dos outros e nos sacrifiquemos por eles. Talvez tenhamos que sacrificar nosso ego ou até nosso mau humor em determinados momentos. Talvez tenhamos que sacrificar nosso desejo de explodir com alguém em vez de ser apenas firmes. Talvez tenhamos que nos sacrificar para amar e nos doar a pessoas que nem mesmo apreciamos.
- Mas, como você disse antes - Teresa comentou -, temos que escolher se queremos ou não nos comportar de maneira amorosa. Quando amamos os outros, e nos doamos a eles, precisamos servir e nos sacrificar. Quando servimos e nos sacrificamos, construímos autoridade. E quando tivermos construído autoridade com as pessoas, então ganharemos o direito de sermos chamados de líderes.

- Compreendo o que você está dizendo - aparteou a treinadora - e talvez concorde com isso. Mas fico com a impressão de que, ao nos comportarmos assim, estamos manipulando as pessoas.
A diretora respondeu: - Manipulação, por definição, é influenciar pessoas para benefício pessoal. Acho que o modelo de liderança que Simeão defende fala em influenciar as pessoas em busca de um benefício mútuo. Se de fato estou identificando e satisfazendo as necessidades legítimas das pessoas que lidero e a quem sirvo, elas também devem estar sendo beneficiadas por minha influência. Concorda, Simeão?
- Como sempre, o grupo conseguiu articular esses princípios melhor do que eu faria. Obrigado.
O pregador contou: - Uma vez ouvi uma fita gravada por Tony Campolo, um pastor bastante famoso, conferencista e educador, em que ele fala de suas sessões de terapia para noivos. Ele diz que, sempre que um casal jovem o procura, ele costuma perguntar: "Por que vocês vão se casar?" A resposta costumeira, claro, é: "Porque nos amamos de verdade." A segunda pergunta de Tony é: "Vocês têm uma razão melhor do que essa, não é?" O casal se olha surpreso, sem compreender a pergunta. "Qual poderia ser uma razão melhor do que essa? Nós de fato nos amamos!" Ele responde dizendo: "Sei que neste momento vocês trocam palavras apaixonadas e que os hormônios estão a todo vapor. Ótimo, aproveitem. Mas o que será do relacionamento de vocês quando esses sentimentos e sensações acabarem?" Como é de esperar, o casal se olha antes de responder num tom desafiador: "Isso nunca acontecerá conosco."
A sala explodiu em risadas.

- Vejo que alguns de vocês estão casados há muito tempo - meu companheiro de quarto continuou. - Todos nós sabemos que os sentimentos vêm e vão, e é o compromisso que nos sustenta. Tony conclui a conversa com os noivos mostrando que cada casamento oferece uma oportunidade para uma união real e profunda, mas que só sabemos se somos capazes de construí-Ia quando a paixão inicial termina.

- Sim, sim, Lee - Simeão afirmou. - Esse mesmo princípio de compromisso se aplica à liderança. Os comportamentos que estamos discutindo hoje não são tão difíceis com as pessoas de quem gostamos. Muitos homens maus e mulheres más são bons e amigáveis com as pessoas de quem gostam. Mas nosso verdadeiro caráter de líder se revela quando temos que nos doar aos agressivos e arrogantes, quando somos colocados à prova e temos que amar as pessoas de quem não gostamos tanto. É nessas horas que descobrimos nosso grau de comprometimento. É aí que descobrimos a espécie de líder que de fato somos.
Teresa acrescentou: - Acho que foi Zsa-Zsa Gabor quem disse que amar vinte homens durante um ano é fácil se comparado a amar um homem durante vinte anos!

Simeão caminhou para o quadro e completou o diagrama.
- Em nosso modelo, ontem, dissemos que a liderança é construída sobre autoridade ou influência, que por sua vez são construídas sobre serviço e sacrifício, que são construídos sobre o amor. Então, por definição, quando vocês lideram com autoridade serão chamados a doar-se, amar, servir e até sacrificar-se pelos outros. Mais uma vez, amar não é como você se sente em relação aos outros, mas como se comporta em relação aos outros.
A enfermeira concluiu: - O que eu estou entendendo, Simeão, é que o verbo amar pode ser definido como o ato ou os atos de doação aos outros, identificando e atendendo suas legítimas necessidades. É mais ou menos isso?
- Lindo, Kim - foi a simples resposta.

AMOR E LIDERANÇA
Paciência Mostrar autocontrole.
Bondade Dar atenção, apreciação e incentivo.
Humildade Ser autêntico e sem pretensão ou arrogância.
Respeito Tratar os outros como pessoas importantes.
Abnegação Satisfazer as necessidades dos outros.
Perdão Desistir de ressentimento quando prejudicado.
Honestidade Ser livre de engano.
Compromisso Sustentar suas escolhas.
Resultados:
Serviço e Sacrifício Pôr de lado suas vontades e necessidades; buscar o maior bem para os outros.

 

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