
EM BUSCA DA ESPIRITUALIDADE

Cap. 4
A Morte
O Caminho para Casa
I sent my soul through the Invisible,
Some letter of that After-life to spell:
And by and by my Soul returned to me,
And answered "I Myself am Heav'n and Hell".3
- Omar Khayyám,
The Rubáiyát
O que acontece exatamente na hora da morte?"
Esta foi a pergunta que ouvi com maior freqüência
ao longo dos meus muitos anos de trabalho como médium.
Infelizmente, não posso dar uma resposta definitiva,
porque a experiência da morte é tão
individual quanto a experiência da vida. E embora
os espíritos tenham muitas vezes tentado responder
a esta indagação de modo satisfatário,
a explicação da morte excede em muito o vocabulário
limitado e a inteligência finita de que dispomos.
Como poderíamos entender algo que se encontra fora
da consciência humana? Mesmo o melhor dos médiuns
não pode fazer mais do que ter esperança de
descrever com precisão todos os sentimentos que um
espírito deseja expressar acerca do processo da morte.
A nossa condição humana, reforçada
pelos sistemas de crenças religiosas e todos os preconceitos
sobre a morte, torna-se incapaz de qualquer percepção
que se assemelhe a um verdadeiro entendimento. A morte sempre
foi o maior dos mistérios. Podemos apenas imaginar,
ler e teorizar sobre aquilo que realmente ocorre, mas nunca
saberemos o que a morte é de fato, até que
a vivenciemos nós mesmos.
Enviei minha alma através do Invisível, para
que ela escrevesse uma carta da vida além da outra
vida: E logo minha Alma voltou a mim. E respondeu "Eu
mesma sou o Céu e o Inferno".
Enquanto escrevo este capítulo, anos de sessões
me vêm à mente e posso recordar-me de detalhes
específicos de centenas de espíritos dos que
já faleceram. É o acúmulo dessas percepções,
combinadas com as informações que obtive de
inúmeros livros, artigos e diversos materiais internacionais
sobre o assunto, que compartilho aqui. É o exame
mais honesto e objetivo que posso oferecer sobre a experiência
da morte.
O Medo de Morrer
Por que as pessoas têm tanto medo da morte? A resposta
é simples. Trata-se de uma experiência desconhecida.
A maior parte das pessoas não se sente à vontade
para falar sobre a morte e muito menos pensar sobre a perspectiva
de que um dia estarão mortas. Até hoje, poucas
pessoas dispuseram-se a investigar este processo. Recentemente,
contudo, houve muitas pessoas que passaram por aquilo que
é conhecido como "experiência de quase
morte" e contaram suas impressões de como é
morrer. Já há vários bons livros sobre
este assunto, em especial A Vida Após a Vida, do
Dr. Raymond Moody, e A Roda da Vida, de Eliisabeth Kübler-Ross.
Os detalhes das experiências de quase morte narradas
nestes livros, tais como passar por um túnel, ou
ser acolhido por um ente querido, ou ver uma luz brilhante,
ou encontrar um ser espiritual, são todos muito semelhantes
ao quadro pintado pelos espíritos com quem tive contato
em minhas sessões. O sentimento predominante nas
experiências de quase morte é a placidez, a
sensação de que a morte não é
"o fim". A morte é apenas mais um processo
natural da vida. Começamos a morrer no momento em
que nascemos e continuamos a morrer todos os dias. o plano
físico, as células degeneram, morrem e são
substituídas, mas nós não pensamos
nisto. Conforme mencionei no capítulo III, "morremos"
todas as noites quando vamos dormir. É nesta hora
que a consciência deixa o corpo físico e viaja
para o mundo astral. Ao reentrar no corpo na manhã
seguinte, voltamos com recordações de nossas
viagens e encontros sob a forma de sonhos. Muitas vezes
não entendemos os sonhos ou o que acontece quando
dormimos, mas isto não tem importância. A vida
acontece de um jeito ou de outro, não importa se
a compreendemos ou não.
O que acontece quando morremos? A percepção
mais importante já registrada junto aos que faleceram
é a seguinte:
Na morte ganhamos consciência de que somos mais do
que apenas nossos corpos físicos.
Ao morrer, os seres não apenas sentem imediatamente
que sua parte física é um componente menor
daquilo que são como também percebem que eles
integram tudo o que existe. É neste momento que os
espíritos compreendem plenamente sua complexa participação
no quebra-cabeça universal. Começam a ver-se
no quadro completo e não têm mais necessidade
de desentender-se ou afastar-se de qualquer outro ser. Vêem
Deus em todas as coisas.
Muitos espíritos disseram por meu intermédio
que a morte em si é fácil; o difícil
é morrer. Qualquer pessoa com uma doença terrível,
como câncer ou AIDS, pode sofrer intensamente, à
medida que a doença corrói os vários
órgãos do receptáculo físico.
Lentamente, o prana, ou o sopro da vida, esvai-se do corpo.
Este processo pode ser muito doloroso. Mas quando a morte
chega, não há mais dor ou desconforto. A dor
é uma condição física, restrita
ao corpo físico. A lembrança do sofrimento
pode permanecer no corpo mental de um espírito, mas
apenas como uma lembrança; a sensação
já não existe mais. A dor não exerce
mais qualquer efeito sobre a saúde e bem-estar do
corpo do espírito.
O Processo
Como sabemos, há maneiras diferentes de morrer, ou,
para usar uma terminologia mais correta, há várias
formas de deixar o corpo físico. Mas não importa
o modo como a transição é feita, a
pessoa claramente passa por uma mudança fisiológica
e química. Na hora da morte, o corpo do espírito
é imediatamente encerrado em uma bainha etérea,
ou seu duplo. O espírito permanece neste estado por
um breve período, até que seu duplo etéreo
seja também descartado. Este despojamento do corpo
etéreo ocorre na hora em que o espírito deixa
de fato o corpo físico. Uma vez que o corpo etéreo
esteja ausente, o corpo astral assume. Em sua forma astral,
o espírito é capaz de entrar na energia mais
refinada do mundo astral. Este processo é sempre
o mesmo, qualquer que seja a maneira de morrer.
Os espíritos costumam descrever como se sentiram
à vontade na hora da morte e como, em alguns casos,
nem mesmo perceberam que haviam morrido. Lembro-me de uma
sessão que realizei com uma mãe e sua filha.
a época, a mãe estava morrendo de câncer.
Sua filha queria que a mãe fosse tranqüilizada
com a certeza de que sua morte não seria dolorosa.
A sessão foi muito bem-sucedida. A mãe teve
contato com vários espíritos, incluindo seu
segundo marido, que lhe disse: "Não se preocupe.
Quando chegar a hora, será tudo muito natural."
A mãe morreu três semanas depois, durante o
sono. Alguns meses mais tarde, a filha voltou para realizar
outra sessão. Sua mãe apareceu e estava extremamente
grata à filha e a mim por termos a ajudado a perceber
que a morte seria daquela forma. Ela disse: "Foi exatamente
como todo mundo descreveu muito fácil e tranqüilo."
Expliquei aqui a idéia geral; agora, examinaremos
o processo, passo a passo.
A Morte Natural
As pessoas que morrem de causas naturais, ou de uma doença
na qual têm consciência de que a morte se aproxima,
passam por transições típicas. Alguns
dias antes da morte, sua consciência começa
lentamente a expandir-se ou ampliar-se. Vivenciam uma espécie
de "aguçamento" dos sentidos, principalmente
a audição e a visão. Muitas relataram
terem passado por um flashback, no qual viram e sentiram
todas as situações de suas vidas com muita
clareza. Durante o flashback, puderam compreender plenamente
a razão de cada experiência vivida. É
neste momento de revisão da vida que a parte espiritual
da pessoa faz algum tipo de autojulgamento. Por julgamento
eu não quero dizer escolher entre o céu e
o inferno. Em vez disso, o espírito torna-se profundamente
consciente de suas ações e muito sensível
à forma como tratava as outras pessoas. Reconhece
imediatamente a forma "certa" pela qual poderia
ter agido. Felizmente, vê igualmente o bem que fez
aos outros. Esta revisão de vida ocorre em questão
de segundos.
É também por volta deste momento que as pessoas
agonizantes muitas vezes percebem parentes ou amigos próximos
falecidos há muito tempo ao lado de seu leito. Estes
seres espirituais podem estar lá para zelar por elas
ou para visitá-Ias. Já houve muitos casos
em que uma pessoa moribunda subitamente chamou um parente
falecido ou descreveu uma cena. Quando Thomas Edison estava
em coma, muito perto de morrer, ele despertou momentaneamente,
olhou para o alto e disse: "É muito bonito lá
em cima."
Imediatamente antes do fim, uma pessoa agonizante pode vivenciar
uma forte diminuição ou a interrupção
completa da dor física. A pessoa pode entrar lentamente
em coma ou permanecer consciente até o momento "final".
Se estiver consciente, talvez note uma sensação
de "frio" nas extremidades, que ocorre quando
a circulação vai se tornando mais lenta e
a energia da Força de Deus começa a retirar-se
do corpo. À medida que a retirada prossegue, a pessoa
pode ter uma leve sensação de "tremor"
ou "formigamento". Esta sensação
é causada pelos fios etéreos que estão
começando a se soltar do corpo físico, preparando-se
para a separação do duplo corporal. o momento
da morte, a respiração pára e a alma
deixa o corpo. Neste momento, o "cordão de prata",
a fibra etérea que alimenta o espírito no
corpo físico, é cortado. O espírito
finalmente está livre!
O Suicídio
No caso do suicídio, o espírito não
pode ser atingido. Qualquer pessoa que se force a deixar
o corpo prematuramente descobrirá que, embora possa
destruir seu corpo, não pode destruir sua alma. A
essência do espírito permanece muito viva!
Esta essência não apenas permanece viva; os
"problemas" que provocaram o suicídio ainda
fazem parte de sua mente.
Quando o espírito compreende o que fez, é
geralmente invadido por um sentimento de remorso e fica
deprimido. Acredito que muitas dessas almas torturadas estão
mental e/ou emocionalmente doentes. Se uma pessoa é
mentalmente doente quando está na Terra, precisará
de muita compaixão e compreensão no mundo
dos espíritos. O mesmo acontece com um alcoólatra
ou alguém viciado em drogas. O grau de carência,
amor e consideração varia de situação
para situação. Muitas vezes, é preciso
ajudar as almas viciadas, porque os vícios são
levados para depois da morte. É suficiente dizer
que, se houver desejo, mestres e seres espirituais com dons
de cura estão disponíveis para ajudar a alma
a obter paz de espírito e bem-estar.
Felizmente, as preces e pensamentos amorosos da família
e dos amigos na Terra ajudam a mudar a atmosfera da aura
de depressão e tortura em que vivem essas almas,
substituindo-a por um clima de cura e amor. É por
isso que é tão importante rezar por aqueles
que faleceram. Essas almas acabarão por ganhar consciência
de suas naturezas espirituais mais elevadas e começarão
a buscar uma forma de sair da situação em
que se encontram. Há muitos espíritos do outro
lado da vida cuja única responsabilidade é
ajudar essas vítimas e amorosamente acompanhá-Ias
às áreas em que podem receber alívio
para suas torturas mentais. Acima de tudo, esses espíritos
precisam aprender a perdoar a si mesmos.
A Morte Súbita ou Inesperada
Em caso de morte súbita, por acidente, atos de violência
ou outras causas, o espírito é forçado
a deixar o corpo tão rapidamente, que mal percebe
o que aconteceu. Um espírito não sente qualquer
dor física neste tipo de morte. Em todas as minhas
experiências, nunca vi um espírito relatar
que havia sentido dor ao atravessar o pára-brisa
de um carro em um acidente, ou tido a sensação
de ser esmagado por uma parede durante um terremoto. este
tipo de morte, acredito que o espírito é literalmente
"nocauteado" de modo tão rápido,
que não há tempo para registrar qualquer dor
ou incômodo. Quando o espírito finalmente compreende
a situação, já está fora do
corpo físico.
Dependendo do tipo de morte, a pessoa pode perder a consciência,
ou ter a percepção espontânea de que
está fora de seu corpo, olhando para sua forma vazia
de vida. Ela ainda se sente viva e pensa que é um
ser físico, até se dar conta de que não
é mais. Muitos espíritos me revelaram que
tentaram em vão falar com as pessoas à sua
volta e ficaram desconcertados quando ninguém respondeu.
Embora não possamos ouvir os mortos, eles são
perfeitamente capazes de ouvir o que estamos dizendo e pensando.
Logo após a morte, é habitual que um membro
falecido da família, ou espírito-guia, venha
receber a pessoa que morreu e ajudá-Ia a ajustar-se
às condições desconhecidas do mundo
dos espíritos. Entretanto, no caso de uma morte súbita
ou violenta, o falecido pode demorar algum tempo para aceitar
a situação.
Morte em Grupo
Quando várias pessoas morrem ao mesmo tempo em tragédias,
como um bombardeio, um desastre de avião ou uma catástrofe
natural, elas partem juntas como um grupo de almas. Elas
estão pagando aquilo que é conhecido como
carma de grupo. Em outras palavras, as pessoas decidem,
em um nível espiritual antes do nascimento, morrer
juntas para pagar a dívida cármica. Lembre-se
de que estou falando sobre as implicações
espirituais de tais circunstâncias. Como seres humanos,
compartilhamos a dor dessas trágicas perdas de vidas.
No capítulo VII, descrevo como tomamos este tipo
de decisões espirituais antes de encarnarmos. Por
enquanto, tente entender que este tipo de tragédia
faz parte do nosso destino espiritual na Terra.
Quando a morte é súbita e inesperada, as pessoas
geralmente ficam inconscientes e são expulsas do
corpo físico com o impacto. Não há
qualquer dor quando este tipo de coisa acontece. O espírito
vai embora antes que o corpo físico possa sentir
qualquer coisa. Por favor, acreditem-me quando digo que
neste tipo de situação ninguém se sente
ferido ou sofre na hora da morte.
Como este tipo de morte é um choque, e as pessoas
não estão preparadas para fazer a transição,
seus espíritos muitas vezes ficam no local e vagueiam
tentando entender o que lhes aconteceu. Alguns talvez acordem
em uma espécie de ambiente hospitalar. Outros podem
pensar que escaparam inteiramente do desastre e ainda estão
vivos. Em tragédias dessas proporções,
as almas individuais geralmente precisam de ajuda e conforto
para fazer a readaptação espiritual à
nova situação além da vida.
Quando essas almas ganham consciência das circunstâncias
e começam a fazer perguntas sobre sua situação,
os espíritos-guias ou familiares aparecem e as reúnem,
conduzindo-as para um lugar de recepção. Neste
local de reunião, guias especializados neste tipo
específico de trauma ajudarão as almas recém-chegadas
e aflitas, explicando-Ihes o que significa sua situação.
Alguns espíritos compreenderão perfeitamente
os fatos de sua morte e farão a transição
com facilidade, enquanto outros precisarão de mais
ajuda. Os seres espirituais que trabalham com situações
psicológicas problemáticas os ajudarão
a aceitar sua nova existência espiritual. Em geral,
os problemas são resolvidos quando familiares ou
amigos falecidos se encontram com O espírito recém-chegado.
As lembranças amorosas ajudam a libertar a mente
do espírito da situação trágica.
Seres Presos à Terra
Quando o espírito abandona seu veículo físico,
passa a residir em sua contra partida etérea. este
estado, o espírito tem uma sensação
imediata de paz e liberdade. Do mesmo modo, há uma
forte sensação de leveza e flutuação,
porque o peso e a gravidade do corpo físico já
não existem. O espírito permanece neste duplo
etéreo nebuloso e cinzento por um período
muito curto, talvez apenas alguns instantes, antes que o
invólucro etéreo seja abandonado e o espírito
assuma sua forma astral. De certo modo, pode-se dizer que
o invólucro etéreo é uma ponte ligando
o físico ao astral. Na maioria dos casos, a transição
é rápida.
Entretanto, quando um espírito é muito ligado
à sua família e não está pronto
para aceitar o fato de que morreu, os laços terrenos
tornam-se uma espécie de armadilha. esta situação,
o espírito permanecerá próximo a seu
cadáver. Com freqüência, fará tentativas
inúteis de comunicar-se com seus familiares. É
muito comum que este tipo de espírito assista a seu
próprio enterro. Muitas vezes, isto ajuda o espírito
a compreender que já não faz parte da existência
física. Neste momento, ele finalmente está
pronto para seguir adiante, rumo a seu lar espiritual. Ocasionalmente,
contudo, um espírito fica "paralisado"
e preso à Terra. Às vezes, é o sistema
de crença da pessoa durante a vida que a mantém
"presa à Terra" após a morte. Deixem-me
explicar o que quero dizer quando falo em "sistema
de crença da pessoa".
Era uma vez um homem chamado Bill, que vivia no planeta
Terra. Ele era agnóstico; não tinha qualquer
crença religiosa ou espiritual. Bill só tinha
certeza daquilo que podia experimentar. Sua convicção
era: "Quando morremos, morremos. Não há
nada além disso." Durante sua vida, Bill só
se preocupou com duas coisas: ele mesmo e aquilo que possuía.
Seu principal objetivo na vida era acumular tanto dinheiro
e propriedades quanto possível, mesmo que fosse através
da exploração ou em detrimento das outras
pessoas.
Um dia, Bill morre e acorda do outro lado. Ele percebe rapidamente
que não está "realmente" morto,
mas apenas em uma outra forma mais leve. Entretanto, ele
ainda possui sua mente terrena e materialista. Impaciente,
ele tenta agarrar-se aos seus bens, mas descobre que não
pode fazê-Ia. Ele não compreende que esta névoa
etérea, cinzenta e escura que o envolve é
apenas uma sombra do mundo físico que conhece. Inconsciente
e despreparado, Bill continua a vagar pela Terra como um
fantasma, visitando sua casa e contatando sua família,
na tentativa de comunicar-se com eles. Este estado "intermediário"
pode durar algumas horas, meses, ou mesmo anos, dependendo
do desejo de Bill de deixar o mundo físico para trás
e passar para os domínios astrais mais elevados.
Felizmente, ninguém precisa passar pela mesma confusão
de Bill; basta manter algum tipo de consciência espiritual
mais elevada.
Há alguns anos, conheci essas entidades presas à
Terra através de um amigo. Mike ensinava história
mundial na universidade e era tão racional, que não
podia ser convencido de que o mundo espiritual existia.
Mike sabia que tipo de trabalho eu fazia e chegou mesmo
a participar de algumas das minhas sessões, mas não
acreditava em nada. Mesmo quando eu transmiti mensagens
de vários de seus familiares já falecidos,
ele não deu muito crédito. Hoje, percebo que
ele participou dessas sessões apenas para me agradar.
Durante nossa amizade, ele adoeceu gravemente e ficou desesperado.
Procurei tranqüilizá-lo dizendo inúmeras
vezes que a vida não termina, mas nada do que falei
ajudou a acalmá-lo. Foi ficando cada vez mais amargo
e recluso.
Mike morreu pouco tempo depois do diagnóstico. Dois
dias após sua transição, ele me visitou,
vindo do lado espiritual. Recordo-me nitidamente desta visita.
Era de manhã cedo, quando fui subitamente acordado
pela aparição de um corpo etéreo de
um metro e oitenta, brilhando fracamente ao pé da
minha cama. Ele parecia tão real, com seu cabelo
louro, que eu não podia acreditar. Ele olhou para
mim e perguntou através do pensamento: "Estou
morto?" Enviei de volta meu pensamento: "Sim,
Mike, você está morto." Ele agradeceu:
"Obrigado." E desapareceu. Logo após sua
saída, notei a presença de uma mulher africana
vestida com trajes tribais inacreditáveis. Soube
instintivamente que ela era um dos guias espirituais de
Mike. Ouvia dizer para mim: "Obrigada. Ele precisava
ouvir isto de alguém que ele conhecesse." Em
seguida, ela também desapareceu.
É triste pensar que o mundo está cheio de
seres ainda presos à Terra. Alguns, como Mike, percebem
rapidamente que estão "paralisados" e passam
rapidamente para o mundo espiritual. Outros não têm
tanta sorte. Vagueiam pelo plano físico e "assombram"
os vivos, influenciando os seres humanos mais suscetíveis.
São "aprisionados" em um estado intermediário
entre o mundo da carne e o mundo do espírito. É
uma pena que os nossos sistemas de crença rígidos
e restritivos não morram quando deixamos o corpo
físico. Ao contrário, essas certezas nos acompanham
para o outro lado.
O mesmo pode ocorrer se uma pessoa abandona o corpo violentamente.
Novamente, um espírito fica perdido porque não
está preparado e não compreende o que aconteceu.
Em muitas dessas situações, o espírito
continua a fazer o que fazia na Terra até perceber
que o corpo está morto e que passou para o outro
lado. Muitas vezes, os espíritos ficam com raiva
dessas mortes inesperadas; muitos tentam até mesmo
se vingar. Felizmente, há seres espirituais cuja
função é ajudar esses espíritos
perdidos a seguir adiante, rumo à expressão
mais elevada da vida.
A transição do mundo físico para o
mundo espiritual é natural e indolor. Entretanto,
nossa cultura transformou esta passagem em um acontecimento
que inspira um enorme medo e para o qual as pessoas não
se encontram bem preparadas. Isto mantém os espíritos
presos à Terra, porque não sabem onde estão
quando chegam do outro lado. Por isto é importante
ganharmos uma compreensão do fenômeno da morte
- para que a transição de todos seja fácil,
tranqüila e completa. Precisamos apenas entender que
a morte é uma porta para a vida eterna e que há
mais coisas por vir.