
Porque não respeitam nossas
conquistas legais?
Maria Aparecida Chinchilha
A correspondência (e a forma como ela é redigida/administrada/organizada)
é a imagem fiel da gestão empresarial! É
a maneira mais objetiva para conhecer forma que alguém
administra!
Redigir é acima de tudo o uso correto de um critério
técnico. Quem conhece os passos e as informações
corretas, certamente consegue elaborar, documentos básicos,
os que não comportam informações outras
e juízos de valor. Os mais elaborados já se
encaixam em outro conceito sobre o assunto.
É perfeitamente compreensível que as pessoas
apresentem dificuldades para redigir, pois, se deve admitir
a complexidade do idioma. O que não se pode conceber
é que elabore textos afrontando as normas gramaticais,
a técnica e a apresentação normativa
e, ainda pior, se construa expedientes contendo erros gráficos,
até mesmo com alteração de nomes dos
destinatários. Em plena era tecnológica, também
é inconcebível, apresentar correspondências,
cópias-fiéis, modificando-se apenas dados
básicos. É o célebre efeito CTRL C
e CRTL V. Todo destinatário merece uma correspondência
elaborada especialmente para ele, levando-se em conta que
as pessoas são diferentes entre si e ainda considerar-se
que, com cada uma, a empresa tem um nível de negociação.
A correspondência empresarial não está
sendo devidamente analisada e valorizada. É por meio
dela que as empresas fazem contato com seu cliente/fornecedor
e estabelece relações de suma importância
para o seu conceito aos olhos do mercado consumidor, do
seu produto ou serviço.
É por intermédio da mensagem escrita que se
evidencia o produto cuja negociação garantirá
o pagamento dos compromissos da empresa, apostando-se no
seu sucesso ou fracasso.
Capacidade para redigir deveria ser a primeira exigência
para contratação do profissional Secretário.
Ele deveria, no mínimo, saber referir-se aos seus
destinatários com correção, objetividade,
clareza e, além de dominar o assunto, deveria valer-se
dos plurais corretos e tratamentos competentes.
Porém, não é o que ocorre. O empresário
recruta esse profissional como um elemento sem qualquer
necessidade de informação técnica.
O conceito é que a função não
requer conhecimentos próprios e as atividades a serem
gerenciadas, são simples.
O que não se analisa é que esse profissional
é o contado entre a empresa e seu público
externo e interno, portanto: o elo com todas as pessoas
que se utilizam da organização ou dos seus
serviços desde o mais humilde até o mais importante
contato.
É esse profissional que atende telefone e, por não
ser treinado, coloca os clientes à disposição
da concorrência. É ele que, por não
dominar regras de arquivamento, possibilita que só
se encontre um documento dois dias após a necessidade
dele para uma reunião. É a mesma pessoa que
não distingue o urgente do importante nem o eficaz
do eficiente, atropelando as normas básicas de administração
do tempo. Enfim, a pessoa errada no local equivocado, com
salário irregular e sem qualquer treinamento. Outras
vezes com vencimentos muito além da sua capacidade
profissional, o que evidencia negativamente a organização
que não soube recrutar.
Os RHs das empresas contratantes, também não
consideram que a profissão já é regulamentada
e existem exigências legais e de mercado. Há
piso salarial a ser observado, código de ética
a ser obedecido, assim como bem Planos de Carreira a serem
estabelecidos
Constata-se, portanto, a irregularidade crassa que se aporta
no campo de atuação do secretariado. Como
profissionais devidamente regulamentados cumpre-nos reivindicar
que os direitos legais, sejam observados com rigor dentro
dos parâmetros.
É comum ver-se profissionais graduados em outras
áreas, sem sucesso no ramo abraçado, migrando
para espaços que deveriam ser ocupados por um profissional
da área, habilitado, devidamente registrado na DRT.
Esse profissional “paraquedista” que ‘caiu’
em uma vaga estranha aos seus conhecimentos acadêmicos,
ainda insiste no comportamento antiético de exercer
profissão para a qual não possui qualquer
das habilitações exigidas. Esse profissional
que não conseguiu firmar-se na carreira que escolheu,
aventura-se por caminhos tortuosos, de uma profissão
abnegada, como é o Secretariado.
Não fosse o bastante, ainda deparamos com a falta
de consciência ética dos contratantes desinformados
com a legislação pertinente, colocando em
risco suas empresas/organizações, pela falta
de atenção às leis que nos acolhem.
Por ser profissão regulamentada - empresa e profissional,
contratante e contratado - deveriam estar cientes que os
compromissos que assumem os expõem – em todos
os sentidos – contratando alguém não
habilitado técnica e legalmente.
É por esse motivo que as organizações
estão fartamente servidas de profissionais que não
redigem, atendem mal, são desprovidos de ética
e sem qualquer postura técnica e profissional. Nosso
mercado de trabalho foi invadido por pessoas inabilitadas
que vendem uma “formação” que
desconhecem o que não estamos mais dispostos a aceitar.
Estamos reclamando nosso espaço, buscando nossas
conquistas e fazendo valer nossos direitos. Por esse motivo
estamos arregaçando as mangas, trabalhando na divulgação
de que este espaço nos pertence.
Maria Aparecida Chinchilha
Secretária Executiva e
Diretora do SINSESC para a Região Norte com sede
em Joinville
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