
CAPACITAÇÃO É
A SOLUÇÃO
Rogério Martins
Relatório da Organização Internacional
do Trabalho apontou que os países desenvolvidos continuam
na frente da lista dos mais produtivos no trabalho. O destaque
é que os países asiáticos e que estão
fora da união européia, como a China, Rússia,
Bósnia e Irã, estão em franca expansão
neste sentido. O Brasil, na contramão deste processo
mundial, segundo a pesquisa, regrediu e piorou seus índices
de produtividade no trabalho. Ficamos atrás da Venezuela,
Uruguai, Chile, Argentina e próximos de Uganda. Os
americanos mantiveram a ponta com larga diferença
entre os demais países que o seguem.
O aumento da produtividade é resultado principalmente
de uma melhor combinação de capital, trabalho
e tecnologia.
O nível de vida num país depende também
da produtividade, que mede quanto um trabalhador produz
por hora. Os lucros das empresas crescem quando os empregados
produzem mais por hora do que antes.
A falta de investimento nos trabalhadores através
de formação e capacitação, ou
em equipamento e tecnologia, pode conduzir a uma subutilização
do potencial da mão-de-obra no mundo.
Diante disso fica claro que há muito a fazer. A começar
pela qualificação e capacitação
dos trabalhadores.
Os índices de investimento em treinamento e capacitação
técnica e comportamental nos países desenvolvidos
são, no mínimo, três vezes superiores
aos do Brasil.
Ainda encontramos no país empresários, comerciantes
e empreendedores com uma visão estreita no que se
refere a investimento em educação e treinamento
profissional. Mesmo com a comprovação por
meio de pesquisas e estatísticas que reforçam
a relação positiva entre qualidade/produtividade
e investimento em qualificação.
Outro fato é que não adianta somente preparar
tecnicamente o trabalhador. Oferecer-lhe educação
primária, secundária ou superior, especializações
e MBA’s. O mundo corporativo requer pessoas também
qualificadas em relações humanas, gestão
de pessoas, negociação, comunicação
interna e com os clientes externos, inteligência emocional.
As relações comerciais se modificaram significativamente
nos últimos dez anos. Passamos de uma geração
onde o cliente não sabia de seus direitos e obrigações
para uma nova geração de pessoas mais críticas
e ligadas a tudo que acontece. Saímos da máxima
onde o cliente é rei para o CRM.
Com isso, este mesmo cliente, trabalhador, empresário,
comerciante, profissional liberal teve de se adaptar a novas
formas de relacionamento e trabalho. Não há
mais espaço para relações baseadas
no medo, no ganha-perde, na imposição. O momento
atual requer flexibilidade de atitudes, forte comunicação,
ética, transparência, ou seja, um relacionamento
entre chefia-subordinado, empresa-funcionário baseado
na troca de mão-de-obra/conhecimento por salário/emprego.
É preciso sair do paradigma que treinamento é
despesa. No momento que as empresas e seus diretores, presidentes,
proprietários e funcionários entenderem que
a solução para o aumento da produtividade
passa pela capacitação técnica e comportamental
de seus funcionários, certamente sairemos desta vexatória
condição de sub-desenvolvidos e “improdutivos”.
A equação é simples: quanto mais investimentos
em treinamento, capacitação e tecnologia,
melhores resultados, produtividade e lucros.
Rogerio Martins é Psicólogo,
Professor Universitário, Consultor Organizacional
e Palestrante sobre comportamento, gestão de pessoas
e motivação humana. Autor do livro “Reflexões
do Mundo Corporativo”. Criador do programa Liderança
I: Técnicas e Práticas de Gestão de
Pessoas.
Disponível em http://www.vencer.com.br/view_artigos_colaboradores.asp?codtext=2098.
Consulta realizada em 22 de Janeiro de 2008.